Vício na Glória, Sede de Sangue

De Hércules a Aquiles
Leônidas a Alexandre
Carlos Magno, Coração de Leão
Também Washington, Napoleão
Mania de grandeza
Acrescida de vaidade
Entre “”deuses”” e homens
Onde ficava a realidade?

Há quem necessite seguir
Os necessitados de seguidores
Suprindo simbioticamente
Incontáveis carências
Juntam-se nas grandes potências

Egos massivos são o elo
Moldáveis são as massas
Constroem-se lindos castelos
Depois os largam às traças

Respaldo divino
Ou virtuosa ascendência?
Pouco importa tamanha indecência
Há quem vire e incorpore o sedento
Perpetuando essa chacina
Contaminado pela glória
Longe da carnificina

Saúdo aqui os cordeiros
Trajados em pele de lobos
Buscando seus tesouros
Por entre os muros do matadouro

Sincera, porém doentia
Corrosiva, contagiosa
Ânsia por eternidade
Falsa imortalidade

Pode ser que se lembrem
Mas certamente não venerar
A figura do teu rosto
Indiferentes irão olhar

Raiva, prudência
Misturam um pouco de cada
Criam-se pretextos
Sensações de ameaça
Unindo o povo furioso à sua caça

Talvez o medo seja sincero
E que exista legítima defesa
Mas dissociá-la do mal-entendido
Requer um tempo longo e mal vivido

Embelezam a matança
Injetam arte ao ato da agressão
Formações, flancos e fileiras
Desenhando com fogo o céu e o chão
Vitória efêmera, derrota literal
O sangue nunca lhes sacia
Prendendo a todos numa sede bestial

Vencer apertando gatilhos
Triunfar ao erguer das espadas
Dependência nítida e clara
Em graus variados, a guerra nunca para

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