De quem fui ontem, hoje me sobrou só as pontas no cinzeiro
O que fica depois de alguém partir? Partido ao meio questiono se é político da minha parte o ato de seguir adiante
Como quem abandona um cão acostumado ao colo, ao calor, ao conforto
Me tornei o homem que não fala a língua dos anjos, pra falar a língua de um morto
Quis tanto ter e ser, que fui pouco
Fui um rachado na beira do copo que você só percebeu depois de me tomar quase todo
Nenhuma culpa vestiu bem meu corpo, mas ainda assim insisti em usa-la, experimentar que seja, até o tecido rasgar, até a costura se soltar, e eu ficar desprotegido do vento
Sempre duvidei das previsões do tempo
Hoje eu já não sou a âncora, sou o próprio barco, rezo baixinho pra qualquer santo com horário disponível ajudar com esse consenso desprezível, de que do amor, pouca coisa sei, e como saberia tanto se tanto dele pros outros sempre dei
O que sobra das partidas são cacos, e todos que achei em volta, colei
Agora bebo dessa realidade numa taça, onde tudo se derrama, virei uma memória amarga, o gin que você nem toma.”