alguns de nós já nascem com o corpo atravessado. com despedidas cravadas na pele, antes do primeiro contato.
recebemos olhares carregados de expectativas, as quais serão quebradas uma por uma quando crescemos.
será que ainda terão orgulho ?
minha vida sempre foi sobre preencher o fato de que eu nunca ter sentido que pertenço a algum lugar.
que preço alto a se pagar, ser alguém que não vale a pena lembrar.
o tempo passa, mas com ele, um rastro de sangue se eterniza no chão.
talvez minha história seja essa, sujar e limpar, e achar que isso é mudar.
eu queria poder viver um dia em que eu não sinta nojo de mim, talvez eu descobrisse que a vida merece ser contemplada. s
e eu me desse uma chance, talvez, só talvez, eu finalmente teria um lugar no mundo.
nós éramos apenas crianças quando quebramos o céu em pedaços, e usamos os cacos para partir nosso coração no meio.
você não deve lembrar da primeira vez que se fez chorar, mas o reflexo vive no medo que você sente hoje.
a minha vida inteira eu busquei por morada em qualquer corpo que não fosse o meu.
sempre me perguntei se eu merecia ser acolhida em algum deles. e hoje, que já é tarde demais, eu teria me dito que sim. “