Ainda observo com dúvida
suas mãos segurando
o terço, a cruz, as palavras
com muita força
/eu te entendo
quando escuto o metal
se atritando ao amolador
Conheço o vidro que se quebra
quando não tem ninguém olhando
O reflexo que não é teu, mãe
meu sono e a tua fome
O mármore onde costumo afiar o corte
Você deveria conhecer
/o mundo que me cria
o cimento que me esquenta
a paisagem carnívora
Mas você
você não percebe
que num passo mágico
os cabelos crescem demais
que os caninos caem
eas madrugadas se mancham na pele
Você mãe, é como eu
não vencemos com os olhos de perdão.