Me deram um desafio: falar sobre nós.
Como poderia eu falar sobre nós, se tô sempre me desatando e seguindo pra longe?
Veja bem, não me entenda errado, não é que te queira mal. Talvez, só te queira saudade.
Eu, como pé daqui, rachado, avermelhado, (cajuzin do cerrado), jamais lhe ausentaria o bom trato
É certo o que lhe acontece. Existe aqui sim sua fartura, seu berço de nascentes, águas que tão tão bem me cresceram, e certo assim, de sede não morreram os que se banharam e se banham no caminho de sua correnteza.
E tão tão certo assim quanto a coroa que repousa em meu ori, não somente filho de caçador, mas também em terra de.
É que quando lhe sinto saudades tudo parece se ajeitar. E quando a gente junto se achega, eu logo arrumo jeito de tocar em frente.
Acontece que tempo demais aqui tem me gerado tristeza.
É um tanto duído ver as cerca aumentando e o cerrado diminuindo pra soja e pasto.
As árvores caindo pra virar curral de carro.
Mas ainda sim, ouço o canto das araras e as maritaca que todo fim de dia fica de fofoquinha.
Como é que pode matar a sede de um país inteiro e ainda ser seco assim?
Essa secura muito me agrada, é uma quentura que só aqui pra se viver.
É um quente abafado que todo centro de cidade pode parecer ter,
Mas só um centro de país pode ter de verdade.
E olhe, eu digo a você, que loucura é ser centro
é história de num pedaço de terra dess tamanho abarcar duas capitais,
a do país e goianinha menina
ainda sustentar boiada e água pra tudo quanté quanto
cachaça e fruta boa de cima até embaixo
e um coração aberto pra receber os caminhante tudo, ne?!
é tanto trem inimaginável de se acontecer no centro
que as vezes até os habitante fica perdido sem saber quem se é
esquece que essa terra de bandeiras e bandeirantes, não é
agora, sobre nós, meu pequizero gigante,
esse dourado que se aproxima do sol,
só poderia querer dizer que não a toa todo agosto e setembro
a gente se queima pra florescer
e que casca grossa, galhos tortos e pé rachado,
sem muita necessidade de tocar o céu,
mas em constante contato com água,
as vezes pode querer dizer mais sobre
a profundidade das raízes do que as intempéries do tempo