Patuá de Preto Velho

Toca o tambor
rezas silenciosas ecoam na senzala
Ketu, jeje, banto, Angola
preta, de carne e alma

Sentado no toco
preto velho chama
mizifina panhe umas ervas para esse preto mirongar reza

As ervas maceradas no pilão mastigam
pedaço por pedaço
a carne exposta
das chicotadas que você carrega em tuas mãos brancas e imundas

O sangue de ewe escorre
molhando a palha seca que se faz cama
que chora com a pele febril, machucada
violada pelas correntes que sorriem a cada chicotada

Vara a noite
preto velho reza
proseia com Exu
faz mandinga com Omolu

Então o galo canta, é hora!

Ansiosas as correntes se enfileiram no portão
esperando os corpos pretos que saem da senzala
e com Exu no peito e patuá de preto velho
seguem com Ogum para o último dia de escravidão

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